Doença do carrapato: Erlichiose canina

junho 7, 2012 em Informe Pet15

 

Doença do carrapato em cães: ERLICHIOSE CANINA

 O que é a Erliquiose canina?

É uma doença que acomete os cães, causada por bactérias do gênero Ehrlichia sp, sendo a principal a Ehrlichia canis. A ocorrência desta doença é muito comum na rotina dos médicos veterinários, e vem aumentando a cada dia, principalmente em épocas de alta incidência de chuvas e elevadas temperaturas.

Como meu cachorro “pega” a doença?

O animal adoece quando ele é picado pelo carrapato infectado com a bactéria Ehrlichia canis. Este carrapato se contaminou picando outros animais portadores da doença, e a partir daí, irá contaminar outros cães sadios.

Qual é o carrapato que transmite a doença?

O principal carrapato que transmite a doença é o carrapato marrom do cão, conhecido cientificamente como Rhipicephalus sanguineus.

Quais são os sintomas da Erliquiose?

Após a infecção do animal pela picada do carrapato, a bactéria se multiplica nos órgãos como fígado, baço, linfonodos e às vezes, medula óssea.

Eles podem ser divididos em três fases:

1) Subclínica: Geralmente esta fase é assintomática, em que a Ehrlichia canis persiste no hospedeiro, promovendo a produção de altos níveis de anticorpos pelo animal, esta fase pode perdurar por vários anos, podendo acarretar apenas em leves alterações hematológicas, não havendo sintomatologia clínica evidente, ou, pode ocorrer algumas complicações tais como depressão, hemorragias, edema de membros, perda de apetite e palidez de mucosas, devido a dificuldade de diagnóstico pela ausência de sintomas. O animal pode ser portador da doença, mas pode não manifestar os sintomas de imediato. Quando surgir algum fator estressante (cadelas no cío, separação de entes queridos, mudanças, etc) para o animal ele pode desenvolver os sintomas em diversos graus de gravidade.

2) Aguda (início da infecção): Geralmente ocorre febre (39,0 – 41,5ºC), perda de apetite, apatia, fraqueza, dores nas articulações, anemia. Em casos mais intensos, podem aparecer manchas roxas pelo corpo, sangramento nasal, urina cor de coca-cola, sangramento através das fezes, dificuldade de respirar, “barriga grande” ou “barriga d’água”, vômitos, edema nos membros. Este quadro pode perdurar por até 4 semanas e, ocasionalmente pode não ser percebido pelo proprietário, uma vez que os animais geralmente NÃO APRESENTA TODOS os sintomas.

3) Crônica (nas infecções persistentes): Nesta fase, a doença assume as características de uma doença auto imune, com o comprometimento do sistema imunológico. Geralmente o animal apresenta os mesmos sinais da fase aguda, porém atenuados, e com a presença de infecções secundárias tais como pneumonias, diarréias, problemas de pele, e muitas vezes hipoplasia ou aplasia medular estão presentes. O animal pode também apresentar sangramentos crônicos ou cansaço e apatia devidos à anemia.

Como a Erliquiose é diagnosticada?

O diagnóstico é difícil no início da infecção pois os sintomas são semelhantes a várias outras doenças ou os proprietários não “reparam” nos sintomas. A presença do carrapato pode ser importante para se confirmar a suspeita clínica. O diagnóstico pode ser feito através do exame de sangue (hemograma) colhido pelo médico veterinário. O exame irá mostrar se o animal tem anemia ou não, se sim, qual a gravidade. Além disso, mostra também a quantidade de leucócitos e plaquetas, que indiretamente pode-se fechar ou não o diagnóstico de erlichiose, uma vez que a bactéria parasita os leucócitos e as plaquetas do sangue (que são responsáveis em grande parte pela coagulação do sangue), então, se os valores de plaquetas estiverem abaixo aos níveis ideais, associado com sintomatologia clínica e história clínica do animal (anamnese), pode-se fechar o diagnóstico de erlichiose.

Entretanto, existem outros métodos de diagnóstico menos utilizados, como a visualização da bactéria em um esfregaço de sangue (exame que pode ser realizado na clínica veterinária, e feito a identificação pelo médico veterinário EXPERIENTE em identificar a bactéria, que não é fácil e há mais chances de erro) ou através de testes sorológicos mais sofisticados, realizados em laboratórios especializados, como PCR, porém são exames de um custo mais elevado, as vezes não acessível para os proprietários.

Como tratar?

O tratamento é baseado em antibioticoterapia, vitaminas para combater anemia, elevar a imunidade e aumentar o apetite.

O antibiótico mais utilizado é conhecido como “DOXICICLINA” é considerado o principal medicamento no tratamento da Erliquiose em todas as suas fases, porém deve ser utilizado de uma maneira diferenciada no que se diz respeito nas doses e tempos determinados.

Existe caso de cães resistentes a doxiciclina, neste caso, o veterinário irá avaliar qual o medicamento poderá ser utilizado.

Em casos extremos, há necessidade de transfusão de sangue, em algumas vezes o animal vêm a óbito.

Qual a duração do tratamento?

Os critérios para o tratamento variam de acordo com a severidade dos sintomas clínicos e da resposta do animal perante o tratamento. Inicialmente, pode durar até 21 dias estendendo-se até 8 semanas.

Qual o prognóstico da doença?

O prognóstico depende da fase em que a doença é diagnosticada e do início da terapia. Quanto mais cedo se diagnostica e se inicia o tratamento, melhores são as chances de cura.

Como prevenir a doença?

Devido a inexistência de vacina contra esta enfermidade, a prevenção é realizada através do tratamento dos animais doentes e do controle do vetor da doença: o carrapato. Para tanto, produtos carrapaticidas ambientais e de uso tópico são bastante eficazes.

Depois que o meu animal ficar doente uma vez, ele pode adoecer de novo?

Sim. Casos de reincidiva são muito comuns, geralmente os sintomas são mais acentuados e o tratamento mais delicado.

Esta doença pode ser transmitida para o homem?

No Brasil, atualmente há poucos diagnósticos de Erlichiose humana, porém é uma doença considerada zoonose, que indica que pode ser transmitida ao homem da mesma forma que é transmitida ao cão, tendo portanto, uma importância relevante na saúde humana. Os sinais clínicos em humanos incluem febre, dor de cabeça, mialgias e sintomas gastrointestinais, há relatos de que o tratamento confere resultados satisfatórios.

Ainda, vale ressaltar que existem outras doenças que podem ser transmitidas pelo carrapato, para os cães e para o homem.